segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Audimax ocupado!


O Audimax da Universidade está ocupado pelos estudantes!

Os alunos estão se solidarizando com os colegas da Universidade de Viena, onde as taxas universitárias sofreram aumento. Protestam contra as taxas (Studiengebühren), que aqui chegam a 750 euros, e contra a mercantilização do ensino. Um dos principais alvos do protesto é a reforma de Bologna, que, em acelerando os cursos e tornando-os eminentemente técnicos, acaba por não formar com qualidade, nem ensejar um ensino crítico, ou ao menos, uma portura crítica aos alunos.

O aluno que conclui a graduação, reduzida a três anos após a unificiação do ensino na UE, tem que entrar no mestrado. E para consegui-lo, deve ter notas na ordem de 1,5 (numa escala de 6 a 1, na qual 1 é a melhor). Isso forma robos e maquina, mas cidadãos, de maneira nenhuma. E quem é que, com 5 anos de estudos, é mestre em alguma coisa?

Os estudantes protestam ainda contra o sistema de eleição do reitor da universidade, que, ao que parece, não conta com a participação dos discentes - embora não possa confirmar essa informação. Essa semana os protestos se espalharam por toda a Alemanha e amanhã (17.11.2009) haverá uma séria de atos, por todo o país, contra o atual sistema de ensino superior.

Parece que o problema da mercantilização da educação e da anti-democraticidade no sistema de ensino não é um problema nacional não... Primeiro mundo também tem dessas coisas.

E vamos a luta!

sábado, 14 de novembro de 2009

Anwaltskanzlei - Escritório de Advocacia

Na quarta-feira passada (11.11.2009) fui, junto com alguns alunos do curso de direito, a um escritório de advocacia próximo a Universidade. Essa foi mais uma atividade coordenada pela professora de alemão jurídico, com a finalidade de nos familiarizar com o universo jurídico da Alemanha.

O escritório pertence a um turco chamado Mulahin Husseyin, o que tornou a visita ainda mais interessante. Se, de uma lado, 80% da população carcerária de Hamburg é composta por turcos, por outro, em diversos setores é possível encontrar turcos bem-sucedidos. Esse advogado está na Alemanha desde 1972 e concluiu o curso de Direito aqui.

O escritório é bastante simples, divergindo em pouco de uma casa normal. Lá trabalham 3 advogados e uma secretária. Trata-se de um escritório pequeno para o padrão alemão, que via de regra possui 10 advogados, em áreas especializadas. No caso do senhor Husseyin, os casos são sempre de direito de família, de estrangeiros e responsabilidade civil. Pudemos observar diversos processos (Klage) e Medidas Cautelares, que em pouco divergem do Brasil, se não em virtude de detalhes formais.

O que me deixou intrigado foi que não há sequer um estagiário no escritório, sendo que a universidade exige que o aluno passe por, pelo menos, 3 meses de prática (Pratikum) num Anwaltskanzlei. Eles apenas aceitam quem já concluiu o curso e precisa conluir o Referendariat (etapa intermediária do Exame da Ordem), para poder exercer a profissão.

Curioso com a ausência de estagiários, que, no Brasil, são responsáveis pela dinâmica de diversos escritórios, perguntei sobre o volume de processos. No caso específico, eles recebem 300 novos casos todos os anos - sendo que destes, apenas um terço vai a juízo. Isso explica alguma coisa...

Outro aspecto interessante é que há um enorme cuidado em se resolver os casos extrajudicialmente. Nos casos típicos de reparação civil, os advogados de ambas as partes entram em contato para encontrar uma solução - numa espécie de conciliação extra-judicial. Levando em conta que, de 300 novos casos, apenas 100 seguem a juízo, pode-se dizer que a taxa de sucesso na negociação é elevada. Coisa que não existe no Brasil. Por esse motivo, os julgamentos aqui acontecem com celeridade e não se atropelam numa fila sem fim. Igualmente por esse motivo, não existem aqui os Juizados Especiais, visto o princípio da celeridade processual ser respeitado em todas as instâncias.


Na semana que vem, dia 25 de novembro, vamos visitar a casa de detenção de Hamburg. No mês de Dezembro, será a vez da maior penitenciária da Alemanha, que também fica na cidade, a "Alcatraz" da Alemanha - Santa Fu (foto). Na altura falarei um pouco sobre o sistema de ressocialização dos presos, as penas etc. Mas quem se interessar, pode já encomendar pela internet um boné ou uma camisa produzidos pelos detentos, através do site www.santa-fu.de

Grande abraço!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Berlim - Turismo de Inverno


Pra matar a saudade. Só Berlim.






Post do vídeo de Bon Jovi: http://www.youtube.com/watch?v=LkOB-e5_GWQ

Até a próxima!

Berlim - Mauerfall (Reloaded)

A queda do muro de Berlim foi um dos eventos políticos mais importantes da história mundial recente. Não só dividiu a cidade em duas, como também o mundo, durante mais de 25 anos. A história de sua construção é conhecida, assim como sua queda. A oportunidade que tive aqui foi de conhecer mais aproundadamente os acontecimentos que antecederam a simbólica "queda" - ou abertura das fronteiras, no dia 09 de novembro de 1989. No final de semana passado comemoraram-se os 20 anos da queda do muro.

De início, estava certo que não estaria presente nesse momento tão único, já que a excursão com a universidade apenas duraria um dia - o sábado todo. Mas o incrível, inimaginável aconteceu! Na noite do sábado, uma hora antes de voltar a Hamburgo, me encontrei com Andrea num café em Berlim. Ele me fez, então, a irrecusável proposta de ficar em Berlim para cerimônia da queda do muro, hospedado na casa de sua tia. Voltaríamos na terça, dia 10. Eu tinha menos de trinta minutos para pensar.

Só estava com a roupa do corpo, mas e daí? Quem recusa uma proposta dessa? Aceitei!

A cidade estava em frenesi. Gente de todas as partes do mundo afluíam a Berlim para presenciar os 20 anos da queda do muro. TV's de toda a europa e do mundo cobriam cada segundo do evento. Visitamos a cidade inteira até o momento mais esperado. Chuvia muito e o frio era implacável! Mas como dizia o poeta, "tudo vale a pena, se a alma não é pequena".

Primeiro, a Filarmônica de Berlim brindou a multidão com um concerto gratuito em plena Brandenbrug Tor. Depois, os líderes políticos de cada um dos Estados envolvidos diretamente na tensão provocada pelo muro discursaram. Pela ordem: Sarkozy (vaia), Medvedev (vaia), Gordon Brown (nada), Hillary Clinton (e um curto vídeo de Obama - aplausos) e, por fim, Merkel (misto). Na bancada de honra, Durão Barroso (presidente da UE), Gorbachew, José Sócrates (primeiro ministro de Portugal), Berlusconi (haja vaia) e outros.

Bon Jovi cantou uma música escrita especialmente para esse momento: "We weren't born to bow" e um coral classico veio a seguir. Sem sombra de dúvidas, o momento mais impressionante da noite foi a queda das 1000 pedras de dominó, posicionadas ao longo do mesmo percurso seguido pelo muro. Essa pedras gigantes foram pintadas por estudantes e artistas de todo o mundo com mensagens de liberdade e solidariedade. A queda durou cerca de 15 minutos, ao final dos quais seguiram-se diversas queimas de fogos de artifício.

Fica, após toda a celebração, a refelxão acerca dos outros muros que temos pelo mundo. Muros não apenas físicos, mas mentais. O problema das fronteiras entre o hemisfério norte e sul do planeta é real e expõe a existência de outros muros, mas que poucos querem ver. Não vou negar que foi interessante ouvir e ver Hillary Clinton clamar pela queda "dos muros" por todo o planeta e pela liberdade dos povos, quando os EUA têm um belo exemplar na fronteira com o México. Ver: http://pangeaday.org/filmDetail.php?id=14

Com isso me despeço. Grande abraço a todos! E muita Freiheit também!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Berlin - Mauerfall

Na segunda-feira que vem, dia 09 de novembro, comemoram-se em Berlin os 20 anos da queda do Muro que dividiu a cidade durante décadas.

Já estive em Berlim antes e posso garantir que é uma sensação única estar onde exisitiu anos atrás um muro que dividiu e, se brincar, ainda divide a Alemanha. Até hoje os alemães do oeste reclamam que pagam impostos para sustentar os alemães orientais, dada a discrepância econômica entre ambas as regiões.

Agora sensação única mesmo deve ter sido ir ao show de 20 minutos que U2 presenteou à cidade. Isso mesmo, de graça. Mas com entradas limitadas, que se esgotaram em menos de uma hora, na internet. Assim não vale...

Amanhã estou indo novamente para Berlim, dessa vez para passar apenas o sábado. Trata-se de uma excursão organizada pela Universidade, na qual tivemos que pagar apenas 10 euros, para ir e voltar de ônibus, no mesmo dia. Só a pasasgem de trem custa 40. Faremos um pequeno tour pelos pontos mais importantes e tenho pra mim que será divertido revisitar à cidade, dessa vez com outra perspectiva - e sem estresse. Além disso a turma que vai é a melhor, o que garante a qualidade da viagem. Por fim, 10 euros gasta-se aqui em qualquer final de semana...

Esquema mesmo, tem Andrea, o palermitano. Conseguiu a casa de um amigo em Berlin e deverá ficar lá até a terça-feira. Estará na festa de celebração, na segunda! Sortudo...

Agora vou indo lá, pois comprei alguns matimentos e vou preparar saduíches, para comer por lá - durante a viagem, que dura 4 horas, e depois. E ainda tenho que passar algumas roupas. O ônibus sai amanhã às 7, por isso, tenho que me levantar às 5 e meia. No rest!

Abraço enorme a todos! E até a próxima, com algumas notícias de Berlim.

Sistema Legal Alemão - II - Noções gerais


Na quarta-feira assistimos a um julgamento no Tribunal Criminal de Hamburg. A iniciativa é da Universidade, que abriu uma turma de alemão só para os alunos de Direito. No calendário estão algumas visitas interessantes a alguns tribunais, grandes escritórios de advocacia e prisões. Éramos brasileiros, chineses, japoneses, checos e russos.

O Tribunal fica ao lado de uma enorme casa de detenção (Untersuchungsgefängnis), ou o contrário, no centro da cidade. Nessa prisão ficam os presos que aguardam julgamento. Foi construída de modo a que tenha conexões diretas com todas as salas de audiência. O acusado é conduzido à sala por meio de corredores subterrâneos e elevadores entre as paredes do tribunal. Ele já chega diretamente na sala, através de uma porta que só abre por fora. Negócio que nem em filme não se vê.

Logo na entrada no Tribunal nota-se a segurança reforçada. Não se pode entrar com celular nem com notebook. Diria que o procedimento é tão minucioso quanto o de qualquer aeroporto. Passando pela triagem, fomos direto a uma audiência. O caso era simples: um rapaz turco, de 25 anos, bebeu demais e bateu na namorada, numa boate. Estava sendo, então, processado por lesão corporal leve (Körperverletzung).

O contexto da audiência foi fácil de entender, pois o caso não era complexo. Apenas foi preciso convocar a namorada. Mas entender tudo o que foi dito é um objetivo que pretendo alcançar brevemente.

Em linhas gerais, o sistema alemão é bem semelhante ao brasileiro. Na sala estavam a Juíza (Richterin), o Promotor de Justiça (Staatsanwalt), o advogado de defesa (Rechtsanwalt), a assistente, elaborando o protocolo da audiência, o réu (Angeklagte), a vítima/testemunha (Opfer) e dois aspirantes a Juiz. Nesse caso específico, o rapaz era empregado e estava noivo dessa moça. A noiva pediu que ele não fosse punido, pois era a primeira vez que acontecia isso entre eles. Apesar de ter um histórico de algumas brigas e lesões corporais, o rapaz não foi punido com pena privativa de liberdade. Apenas uma pena pecuniária. Mas foi advertido que se voltasse a se agredir quem quer que seja poderia se dar mal.

Um aspecto interessante, que chamou minha atenção logo ao entrar na sala, é que não há crucifixos, nem qualquer outro símbolo religioso. Os alemães travaram uma discussão sobre a possibilidade de expressão unilateral de religiosidade em órgãos estatais e chegaram a conclusão que são um Estado laico, secular, e que não é admissível que se pendurem símbolos religiosos nos órgãos estatais. Sequer no Preâmbulo da Constituição é mencionada a palavra "Deus". O que é exercido pelo Estado é em nome da Sociedade e pela Sociedade, sob a proteção e fiscalização da Sociedade.

Ao final da audiência, conversamos com a Juíza e pudemos perguntar um pouco sobre o caso e as razões da decisão. Depois, fomos ao Bistrô que há no interior do tribunal (ao lado de uma grande cantina) e pudemos conversar com a professora que nos acompanhava sobre o sistema legal alemão. Falamos acerca da formação dos juristas, do sistema de penas, das prisões etc. Porém, serão precisos outros tópicos para tratar de tudo isso.

No momento, fico por aqui. Até a próxima.

domingo, 1 de novembro de 2009

Fotos Retroativas

Como sei que faltam algumas fotos minhas no blog, seguem algumas que consegui através de outras câmeras. Mas não se preocupem, pois ainda esta semana comprarei uma, sem falta!

Essa foi logo na primeira semana em Hamburg, na festa de recepção dos Erasmus e demais estudantes estrangeiros. Na foto, Diogo, Ana (PT), Petre (RO), eu, Olivia (FR), Georgia (GR), Thomas (FR) e Catarina (PT). A cerveja é Astra, produzida em Hamburg, bebida oficial dos fãns do St. Pauli Football Club. Os fãns do HSV só bebem Beck's, mas Astra é bem melhor!

Essa aqui foi na casa de Albana e Andrea, na ocasião da macarronada que Andrea preparou para um exército. Uma delícia! Na foto, Egor (RU) e Katherine (D).


Essa última foi no Fischmarkt, ou Mercado do Peixe, de Hamburg. Era o aniversário de Olívia e decidimos fazer uma hora por lá e aproveitar para comer uma baguete de salmão defumado, fresquinho! Na foto, Matthias (Suíça), Olivia, Mike (EN) e Catarina. Ao fundo, o porto adormecido de Hamburg. Vejam como está quente por aqui...

Até a próxima! Com mais fotos, dessa vez, autorais!