sábado, 21 de novembro de 2009

Container's City - Porto de Hamburg


Galera, hoje eu fiz uma viagem incrível! O destino? O porto profundo de Hamburg, a partir de uma perspectiva à qual poucos têm acesso.

Fomos, novamente com a universidade, à "cidade dos containers", no porto de Hamburg. Da cidade só se consegue ver as gruas e guindastes, mas não se tem a menor idéia da dimensão do gigante. Fomos de ônibus, já que é proibida a entrada de pessoal não-autorizado em diversas áreas.

Tudo no porto de Hamburg é "o maior do mundo" e o "mais moderno do mundo". Ocupa hoje a 11ª posição entre os maiores portos do mundo - o primeiro é o de Singapura. Mas possui um sistema de descarga e carga de containers que eu nunca sonhei que existisse. Foram três horas de êxtase. Quanto mais adentravamos no porto, percorrendo o trajeto dos containers, mais impressionado eu ficava. Tudo isso debaixo de um pôr-do-sol espetacular!

Na sua parte mais moderna, o porto é controlado por dois programas de computadores que, combinados, são responsáveis pela eficiência e pela precisão na descarga das mercadorias. Esses programas controlam cerca de 120 caminhões por meio de sinais eletrônicos, além dos guindastes. O caminhão simplesmente não tem cabine, direção, nada. O mesmo com as gruas. Fala sério, dá pra acreditar?!

Nessa foto pode-se ver o caminhões, organizados em fila atrás dos guindastes, aguardando sua vez

A área do porto é enorme! Movimenta cerca de 3 milhões de containers por ano (um terço desses vindo da China). Esses programas têm todos os caminhões gruas e containers controlados via satélite e enviam informações para os caminhões. Assim, eles se posicionam próximo ao navio, com uma precisão de milímetros, mesmo abaixo dos guindastes. Estes colocam os containers nos caminhões, que seguem um percurso preestabelecido até determinadas áreas do porto (indicada por um número no container), a depender do tipo de mercadoria.

Todo esse processo dura minutos e são mais de 120 caminhões ao mesmo tempo trabalhando. Simultaneamente podem ser descarregados 12 navios de grande porte na "cidade dos containers". Grande porte significa 6000 containers a bordo! O resultado de toda a automatização é a descarga de um navio inteiro em 36 horas!!! Não há tempo sequer para ter prostiuição no porto... E isso é só a parte moderna. Há ainda o modelo tradicional, com gente dirigindo caminhões e controlando as gruas. Depois de descarregada, a mercadora segue por trem para a europa do leste e por caminhões (convencionais) para o restante da europa.


Não há palavras para descrever a sensação de ver um porto gigante funcionando sem gente. Os caminhões comandados por controle remoto, as gruas sem manobristas, os containers indo de um lado para o outro do porto... A visão do futuro. Dois programas de computador abastecem a europa inteira com bens vindos de todo o mundo. De 3 milhões de containers, uma média de 5 containers se perdem anualmente, por erro no envio ou processamento da informação. Próximo passo será a automatização dos aviões e dos carros.

Mas fica a pergunta: e se eles deixam de funcionar? E se há uma pane no sistema? Melhor acreditar que são infalíveis...

Novamente, vale lembrar a frase característica do Hamburger Hafen: "Aqui já sopra hoje o vento de amanhã".

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Shows em Hamburg

Em homenagem ao meu amigo Iêdo, em decorrência da notícia de sua provável ida a São Paulo para o show de Coldplay em março, vou falar um pouco dos shows em Hamburg.

Como já postei anteriomente, os impostos na Alemanha são altos, o que torna os preços dos shows quase insuportáveis. Mesmo bandas locais se apresentam a 10 euros ou mais. Por isso, hay que hacer uma triagem prévia, senão vamos a falência.

Entre os shows que perdi, estão: Dream Theater, Shinedown, The Fray, The All-American Rejects, Archive, Muse e Greenday. Entre os que estão por vir, temos The Prodigy, Franz Ferdinand, Paramore, Scooter, Pet Shop Boys e Nickelback.

Estes, é claro, são os mais badalados. Nem todos me agradam. Isso é apenas para dar um panorama da dinâmica cultural de Hamburg. Dinâmica essa que poderia ser bem mais movimentada, já que as bandas focam especificamente em Berlin quando vêm a Alemanha. Para a segunda maior cidade do país, considero Hamburg desprestigiada nesse ponto. Além disso, tem o fator preço. Nickelback, por exemplo, tá a 65 euros a entrada! Muse foi 55 e Greenday 45. Para terem uma idéia, gasto menos de 60 euros com todas as feiras do mês inteiro.

Por isso, quem vem a Alemanha pensando em curtir alguns mega-concertos, tem algumas opções: ou arranja imediatamente um trabalho no Brasil, ou começa a poupar a mesada ou se vira num trampo por aqui. Do contrário pesa muito no orçamento frequentar grandes shows assim.

Mas se tivesse um de U2 aqui, bem que eu abriria uma exceção...

Abraços a todos e todas!

Studenten demonstrieren!


Capa do Die Welt - um dos mais influentes jornais alemães atualmente: "Manifestações contra o sistema de ensino". O dia hoje foi de protestos e passeatas por toda a Alemanha, numa ação incrivelmente organizada dos estudantes. Se algums coisa vai mudar, não se sabe. Mas que todo o país está sabendo que há insatisfação quanto ao ensino, não se pode negar.

O tema aqui está pegando fogo. Em todas as universidades do país há estudantes em greve, auditórios ocupados e ações contra a conhecida reforma de Bologna. Por outro lado, há os que defendem a cobrança das taxas como condição para boa qualidade da universidade - vide USA. Dizem que 750 euros por ano não abala a rotina de um estudante - além do que esse valor pode ser pago depois que o aluno estiver empregado, como acontece com o FIES.

Em Hamburg, cerca de 1.500 foram ao centro da cidade para protestar. Um número relativamente baixo, se considerarmos que a universidade tem mais de 35 mil alunos e a cidade conta com 1,8 milhão de habitantes. Conversando com Georgia, uma estudate grega, ela me disse que na Grécia esse número seria muito maior. Lembrei dos protestos de 2007, quando ocorreram confrontos com a polícia, carros queimados etc. Lá a coisa pega fogo. Em compensação, não há taxas universitárias.

Em toda a Alemanha, 85.000 estudantes foram às ruas. Só em Berlin, 13.000! A vivência desse momento também faz parte de um intercâmbio. Relato o que ocorre aqui, para que o pessoal que pretende vir ano que vem perceba um pouco da conjuntura política na universidade e no país como um todo.

Seguem algumas fotos dos protestos em todo o país:



Até a próxima!

Visto - Documentos

A partir agora é oficial. Já tenho visto de estudos alemao!

Hoje pela manha fui ao Auländersamt para resolver mais essa pendência. Logo na entrada, o clima é de velório. Várias pessoas, ninguém conversa entre si, alguns com olhares distantes, outros analisando os documentos, certificando-se que está tudo correto.

Estava preparado para esperar mais de duas horas. Mas uma a uma, as pessoas foram sendo chamadas e seu antendimento raras vezes demorava. Comigo, a mesma coisa. Fui atendido rapidamente, interrogado acerca de alguns dados importantes, mas, por ser estudante de interâmbio, nao tive maiores problemas.

Ao todo, tive que apresentar os seguintes documentos: comprovante de matrícula (Immatrikulationsbescheinigung), contrato de aluguel (Mietvertrag), recibo do pagamento da última mensalidade da residência universitária, comprovante de residência em Hamburg (Meldebestätigung), cópia do passaporte e comprovante de seguro de saúde por uma companhia alema (Krankenversicherung). Taxa de emissao (salgada): 60 euros. Validade do visto: um ano.

O bom é que o visto é impresso imediatamente. Passou pelo crivo dos funcionários, eles já ficam com o passaporte e imprimem na hora. Pode ser que tenha ajudado nessa celeridade o fato de eu ter obtido uma permissao já no consulado alemao em Recife - embora nao fosse necessária, já que tive refazer todo o procedimento aqui.

Com essa, já se foi mais uma! E que venham mais!

PS: estou escrevendo nos computadores da universidade. Por isso, perdoem a ausência do til nas palavras - o alemao nem sonha que ele exista.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Audimax ocupado!


O Audimax da Universidade está ocupado pelos estudantes!

Os alunos estão se solidarizando com os colegas da Universidade de Viena, onde as taxas universitárias sofreram aumento. Protestam contra as taxas (Studiengebühren), que aqui chegam a 750 euros, e contra a mercantilização do ensino. Um dos principais alvos do protesto é a reforma de Bologna, que, em acelerando os cursos e tornando-os eminentemente técnicos, acaba por não formar com qualidade, nem ensejar um ensino crítico, ou ao menos, uma portura crítica aos alunos.

O aluno que conclui a graduação, reduzida a três anos após a unificiação do ensino na UE, tem que entrar no mestrado. E para consegui-lo, deve ter notas na ordem de 1,5 (numa escala de 6 a 1, na qual 1 é a melhor). Isso forma robos e maquina, mas cidadãos, de maneira nenhuma. E quem é que, com 5 anos de estudos, é mestre em alguma coisa?

Os estudantes protestam ainda contra o sistema de eleição do reitor da universidade, que, ao que parece, não conta com a participação dos discentes - embora não possa confirmar essa informação. Essa semana os protestos se espalharam por toda a Alemanha e amanhã (17.11.2009) haverá uma séria de atos, por todo o país, contra o atual sistema de ensino superior.

Parece que o problema da mercantilização da educação e da anti-democraticidade no sistema de ensino não é um problema nacional não... Primeiro mundo também tem dessas coisas.

E vamos a luta!

sábado, 14 de novembro de 2009

Anwaltskanzlei - Escritório de Advocacia

Na quarta-feira passada (11.11.2009) fui, junto com alguns alunos do curso de direito, a um escritório de advocacia próximo a Universidade. Essa foi mais uma atividade coordenada pela professora de alemão jurídico, com a finalidade de nos familiarizar com o universo jurídico da Alemanha.

O escritório pertence a um turco chamado Mulahin Husseyin, o que tornou a visita ainda mais interessante. Se, de uma lado, 80% da população carcerária de Hamburg é composta por turcos, por outro, em diversos setores é possível encontrar turcos bem-sucedidos. Esse advogado está na Alemanha desde 1972 e concluiu o curso de Direito aqui.

O escritório é bastante simples, divergindo em pouco de uma casa normal. Lá trabalham 3 advogados e uma secretária. Trata-se de um escritório pequeno para o padrão alemão, que via de regra possui 10 advogados, em áreas especializadas. No caso do senhor Husseyin, os casos são sempre de direito de família, de estrangeiros e responsabilidade civil. Pudemos observar diversos processos (Klage) e Medidas Cautelares, que em pouco divergem do Brasil, se não em virtude de detalhes formais.

O que me deixou intrigado foi que não há sequer um estagiário no escritório, sendo que a universidade exige que o aluno passe por, pelo menos, 3 meses de prática (Pratikum) num Anwaltskanzlei. Eles apenas aceitam quem já concluiu o curso e precisa conluir o Referendariat (etapa intermediária do Exame da Ordem), para poder exercer a profissão.

Curioso com a ausência de estagiários, que, no Brasil, são responsáveis pela dinâmica de diversos escritórios, perguntei sobre o volume de processos. No caso específico, eles recebem 300 novos casos todos os anos - sendo que destes, apenas um terço vai a juízo. Isso explica alguma coisa...

Outro aspecto interessante é que há um enorme cuidado em se resolver os casos extrajudicialmente. Nos casos típicos de reparação civil, os advogados de ambas as partes entram em contato para encontrar uma solução - numa espécie de conciliação extra-judicial. Levando em conta que, de 300 novos casos, apenas 100 seguem a juízo, pode-se dizer que a taxa de sucesso na negociação é elevada. Coisa que não existe no Brasil. Por esse motivo, os julgamentos aqui acontecem com celeridade e não se atropelam numa fila sem fim. Igualmente por esse motivo, não existem aqui os Juizados Especiais, visto o princípio da celeridade processual ser respeitado em todas as instâncias.


Na semana que vem, dia 25 de novembro, vamos visitar a casa de detenção de Hamburg. No mês de Dezembro, será a vez da maior penitenciária da Alemanha, que também fica na cidade, a "Alcatraz" da Alemanha - Santa Fu (foto). Na altura falarei um pouco sobre o sistema de ressocialização dos presos, as penas etc. Mas quem se interessar, pode já encomendar pela internet um boné ou uma camisa produzidos pelos detentos, através do site www.santa-fu.de

Grande abraço!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Berlim - Turismo de Inverno


Pra matar a saudade. Só Berlim.






Post do vídeo de Bon Jovi: http://www.youtube.com/watch?v=LkOB-e5_GWQ

Até a próxima!