terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Natal na Suíça

Com o Natal se aproximando, o destino não poderia ter sido diferente: família. O fato de estarem na Suíça apenas tornas as coisas mais interessantes.

Meu voo para Genebra (Genf, em alemão) partiu depois de uma hora de atraso, em função da nevasca que fustigava a cidade. O avião precisou ser descongelado (de-iced), para que pudesse seguir. Já em Genebra, me encontrei com tia Goreti, meu primo Joel e sua namorada Rosanne. Juntos saimos à descoberta dessa cidade maravilhosa, debaixo de agradáveis 14 graus de temperatura.



A mais internacional das vilas suíças, Genf possui pouco mais de 200 mil habitantes (a Suíça inteira tem sete milhões). É a sede de diversos órgãos internacionais, particularmente a Cruz Vermelha Internacional e organizações como a internacional do Trabalho, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, tendo as próprias Nações Unidas aí um palácio.



É cortada pelo rio Rhône e encrustada no lado sul do lago Lemán. O rio é de um verde cristalino e o lago imenso, como um oceano. É também a cidade natal de um ilustre cidadão: Jean-Jacques Rousseau. A arquitetura é marcada por cores claras, bege e branco, ao contrário de Hamburg, o que a torna ainda mais bela. Por todos os lados há joalherias com os famosos relógios e canivetes suíços - um orgulho nacional.

Já em Sierre, cidade de tia Goreti, pude rever Alain e meu outro primo, Pablo. Fomos em busca de uma árvore de Natal e descobrir um pouco mais de Sierre. Fica no interior da Suíça, em meio aos Alpes, na região de Valais. Está a alguns minutos das mais famosas estações de esqui da Suíça e da Europa, como Crans-Montana, onde Roger Moore tem residência fixa.



Foi exatamente aí onde esquiei pela primeira vez. A preparação é complicada: ajustar esqui, vestir todas as roupas a prova de vento, noções básicas etc. Mas uma vez esquiando, a sensação é incrível! Claro que fiquei na pista junto com as crianças de 3 anos, mas e daí? Depois de rápidos avanços, passamos no segundo dia para uma pista profissional, a de Aminonah. Essa me quebrou todo. Demasiado inclinada, exigia movimentos rápidos e um equilíbrio fora do comum. Uma senssibilidade que se adquire com tempo, tempo este que não tive.



A noite de Natal passamos com a família de Alain, num típico casebre das montanhas - aconchegante e belamente decorado, com uma vista incrível para os Alpes. As aldeias ao topo parecem jóias, pequenas gemas. Um momento inesquecível.

E como o tempo não pára, já estou de volta em Hamburg, planejando o Silvester/Reveillon e programando as futuras aventuras em solo europeu.

Novamente, Feliz Natal a todos!

sábado, 19 de dezembro de 2009

Hopenhagen?


É oficial. A cimeira de Copenhagen encontrou seu fim da maneira mais tímida possível. Não seria demais falar em um fracasso retumbante.

Depois de duas semanas de negociações, os represetantes dos 193 países do mundo não conseguiram em momento algum alcançar consenso, especialmente no momento de elaboração do documento final - o "Copenhagen Accord".

O resultado? Uma mera declaração de intenções, sem nenhuma força obrigatòria, sem coercibilidade. Sabemos como é sensível essa questão da obrigatoriedade nos acordos internacionais, mas a falta de responsabilidade quanto à questão ambiental é estarrecedora. Além disso, o principal objetivo da COP 15 era elaborar um acordo politicamente vinculante. Se não conseguiu, falhou.

Chegamos ao "Zwei-Grad-Ziel", ou objetivo dos dois graus, segundo o qual os países se comprometeram a evitar o aquecimento do planeta em dois graus até 2020. Mas dizer que vamos evitar que a Terra aqueça 2 graus, sem especificar os meios pelos quais o faremos é o mesmo que não pretender nada.

Foi isso e o fundo de 100 bilhões de dólares para os países pobres. Fundo este para o qual o Brasil irá contribuir, enquanto quarto maior poluidor do mundo. Essa foi a principal contribuição dos EUA para a cimeira, que na hora de doar é bem mais eficiente que ao assumir responsabilidades. Comprometer-se com a retribuição financeira do prejuízo a posteriori é mais fácil do que assumir responsabilidades a priori. É a inversão daquela velha e conhecida máxima do mais vale prevenir de que remediar. Claro que a proposta foi acatada imediatamente pela UE e pelo Japão.

O que ficou bem claro é que os interesses privados nacionais prevaleceram novamente diante do interesse coletivo. A questão é: até quando? Enquanto isso, vamos preparando essa nova geração, que a batalha vai ser grande.

É... parece que "Hopenhagen" não vingou.

Nathan, der Weise


Quinta-feira, dia 17, assisti a uma peça de teatro no tradicionalíssimo Thalia Theater, centro agitado de Hamburg (entre a Rathaus e a Hauptbahnhof - Estação de Trens). O teatro é magnífico, com três lances de galerias, lembrando ao longe o Santa Rosa, em João Pessoa. A acústica é perfeita e o palco não deixa nada a desejar.

O valor da entrada varia conforme a peça. Para estudantes, geralmente custa 5,50 euros, valor extremamente em conta, haja vista os preços de outras atividades culturais em Hamburg (uma entrada pra cinema custa 7 euros e 50). E depois, só em apreciar a arquitetura do teatro, já veleu a pena.

A peça era "Nathan, o Sábio", escrita em 1779 pelo renomado autor alemão Gottholf Ephraim von Lessing. Antes de ir, procurei saber um pouco sobre a mesma, já que o alemão antigo (Altdeutsch) revela-se difícil até mesmo para os prórpios tedescos. Mas não adiantou muito. Conseguia pegar palavras soltas, mas concatená-las e dar-lhes sentido, isso me pareceu impossível para quem está aprendendo alemão. Essa foi a impressão geral de todos que foram comigo.

Uma obra crítica, escrita nos últimos anos de vida de Lessing. Marcada pelo discurso da tolerância religiosa em tempos de amplas restrições por parte da igreja católica, a peça colocou Lessing contra a mesma. Tem lugar em Jerusalém, no ano de 1192, com três personagens principais: um judeu, um cristão e um mulçumano, na tentativa de questionar a intolerância.

O modo como foi adaptada nesta apresentação é que surpreendeu. Havia duas dimensões, sendo uma para os três personagens acima e outra para personagens atuais (que vestiam roupas atuais). O palco mudava a cada ato, com uma dinâmica riquíssima. A estética teatral e a performance dos atores me impressionaram bastante. A duração foi de duas horas e meia. Outra experiência única em Hamburg!

Depois, sob neve forte, fomos a mais um mercado de Natal, refletir um pouco sobre a mensagem da noite e tomar uma sopa picante de feijão (que fazia tempo que eu não comia por aqui).

Um forte abraço!

Aniversário de uma pessoa querida - Natal

A universidade já entrou em recesso de Natal; os estudantes intercambistas, em sua esmagadora maioria, já retornaram para suas casas; a cidade mergulha num clima profundo de Natal, acompanhado de muita neve e frio, de um jeito que nunca tinha presenciado antes.

E com isso vem a nostalgia, que chega dentro do tempo esperado. Dentro em pouco farão três meses distante de casa.

Não há como não lembrar da família e, em especial, de uma aniversariante importante. Todos os anos a família se reúne em torno de Vóvó Teresinha para celebrar seu aniversário e o Natal antecipado. Um momento ímpar junto daqueles que estão sempre ali quando se precisa.

Desta vez, serão comemorados incríveis 80 anos de muita vitalidade e muito amor. Um marco que torna esse momento ainda mais único.

Este dia 21 de dezembro estarei noutro hemisfério do planeta. Todavia, faço-me presente em espírito em mais um aniversário daquela que, com espontaneidade e carisma, consegue o feito de manter a família unida.

Esta mensagem é para você, vóvó Teresinha, a Sábia! Feliz aniversário! E que este seja mais um ano fazendo o que a senhora consegue com perfeição: trazer felicidade a bisnetos, netos, filhos, noras, genros e a todos que estão ao seu lado.

Feliz Natal a todos!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Kopenhagen - Ainda há esperança (?)


Como todos sabemos, vem ocorrendo há mais de uma semana a Cimeira do Clima em Kopenhagen - COP 15. A cobertura que a imprensa alemã tem feito, no entento, é vergonhosa, chegando mesmo a ser uma não-cobertura. As manchetes políticas nacionais ofuscam completamente a Cimeira.

Mesmo assim, tenho procurado me manter atualizado no tocante às discussões e ao andamento em geral do evento. Lembro-me bem quando, em janeiro deste ano, no Fórum Social Mundial, foi diversas vezes mencionada a Cimeira. Um momento decisivo, de compromisso amplo e ilimitado dos Estados. A realidade, porém, é bem mais cruel.

Entre os jornais alemães de maior circulação nacional, figuravam algumas reportagens. O Tageschau fala em "Nervosität, Anspannung und wenig Fortschritt" (Nervosismo, Tensão e poucos avanços). Na mesma linha, o Spiegel pinta um cenário de fracasso total antecipado da COP 15, com a reportagem "Copenhagem está no fim". O Die Welt dedicou ma página inteira para se divertir com as declarações do Instituto de Estudos Climáticos de Potsdam, de que as mudanças climáticas também contribuíram para o massacre no Sudão. O Die Zeit, maior jornal alemão, segue a mesma linha de pessimismo, com reportagens superficiais sobre Copenhagen.

Um dos principais motivos pelo qual as negociações não tem resultado é a fuga das responsabilidades. Os países do terceiro mundo transferem a culpa aos países industrializados e aguargam por medidas, para então iniciarem as suas. O hemisfério norte reconhece as críticas do sul e promete ajudas na ordem dos bilhões de euros aos países subdesenvolvidos, para que estes combatam as mudanças climáticas. A UE vai doar 8 bilhões de euros para exclusivamente para esse fim a diversos países africanos. A quem pretendem enganar?

Os EUA, responsáveis por maisde 25% das emissões do planeta, prometem reduzir em 15% as mesmas até 2015. Alguém acredita nisso? Lula também já se posicionou e prometeu reduções dentro do prazo dado pela conferência. O Brasil é um dos maiores poluidores do mundo (o quarto, acredito) e 50% dos gases estufa que jogamos na atmosfera vêm da pecuária. É uma praga mesmo... demanda latifúndios enormes, polui mais que qualquer indústria e é a principal causa de desmatamento da floresta amazônica. Seria possível falar em consciência ambiental no Brasil, quando uma empresa brasileira é a maior vendedora de carne bovina do mundo? E a China, então... essa nem se fala. Sabe criticar os EUA mas não olha pro próprio umbigo.

Os burocratas têm mais 48 horas para se dedicarem a construir algo sério. A partir de amanhã (16.12.2009) começam a chegar os chefes de Estados cujos ministros de meio ambiente já participam das dicussões desde o início. Até o Papa já se pronunciou. Só falta aqueles que têm o poder de decidir alguma coisa.

Daqui, da Universidade de Hamburg, saiu um grupo de 15 estudantes para a Cimeira. Participaram de algumas discussões e conversaram pessoalmente com o representante do governo brasileiro na COP 15 e com alguns estudantes de outros países. Ao que contam, os estudantes chineses são os mais complicados, vez que se expressam nas mesmas palavras ditas por Hu Jintao, ao criticar os EUA e demais países desenvolvidos.

Nesse ritmo, seguem os trabalho na COP 15. A sociedade alemã completamente alheia a tudo o que está sendo discutido. Agora me pego imaginando como estará a sociedade brasileira com relação a esse evento.

Já sabíamos que uma cimeira não iria mudar o mundo. Mas, depois de vinte dias de reuniões, não produzir nada de concreto, isso eu não esperava.

Como li num panfleto de rua: "alle reden vom Klima. Wir nicht!"

Vejamos!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Neve

Hoje nevou.
Timidamente, mas nevou. A cidade amanheceu com o manto branco, embora de pouca espessura, e durante o dia nevou diversas vezes.
A temperatura esteve abaixo de zero durante um bom tempo. O lago da residência e a fonte da universidade congelaram.
Isso pra mim também é novidade.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Lunaburg e Praia do Elba

Quem achava que Hamburg não tem praia? Bom, na verdade, eu. Mas semana passada fui à praia fluvial do Elba. Não difere em nada de uma praia marítima - até as ondas e o barulho característico têm (por conta dos navios que atravessam o rio). Não fosse o frio...


Essa aqui é na cidade vizinha de Lünaburg. Fica a aprox. 50 km de Hamburg e os estudantes podem viajar de graça, ou melhor, portando o Bilhete Semestral (Semesterticket) que compram no início do an letivo. Esse bilhete garante acesso a todos os melios de transporte no Estado de Hamburg - ônibus, metrô, trem e barco.

Lünaburg é a cidade natal de Niklas Luhmann e possui um mercado de Natal incrível. Parece uma vila cinematográfica. Foi muito rica no passado com a exportação de sal - por isso, membro da Liga Hanseática, liderada por Hamburg. Possui algumas Igrejas maiores que as daqui e pode ser visitada sem problema em duas horas.


Os de copo vermelho na mão são corajosos. Bebem Glühwein (sangria alemã servida pegando fogo). Nos copos azuis, o bom e velho chocolate quente. Repare que o cachecol já virou acessório essencial...


Fröhlich Weihnacht für alle!