quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Gutes neues Jahr!

Passa rápido, não?

2009 vai ficando pra trás. Um ano de muitas vitórias, experiências incríveis, entre elas uma em especial. O intercâmbio, que há anos estava na dimensão dos planos futuros, hoje é realidade. E essa é, sem dúvidas, a maior conquista deste ano. Feito este que não conseguiria sem o auxílio de minha família.

Obrigado mãe e pai, por incentivar e por despertar outros valores, de batalha, determinação e perseverança, mas também de coletividade e sensibilidade. Aos irmãos, devo a estabilidade emocional e a forte amizade, essenciais para estar onde estou. Uma homenagem especial a Danilo e Felipe.

Esse ano seguiu a tradição de ser o "melhor ano de minha vida". Espero que os seguintes assim o sejam. Para 2010 os planos são ainda mais ousados. Apenas posso garantir dar tudo de mim para executá-los.

Se sonhares, sonha mais alto!

Desejo um 2010 de muita luta e de muito suor a todos, pois só assim alcançamos nossos objetivos. São meus votos mais sinceros, direto de Hamburgo, Alemanha.

Novos valores para 2010

Uma pequena mensagem de final de ano. Que a utopia nunca esmoreça!


Abertura da MISSA DA TERRA SEM MALES, de D. Pedro Casaldáliga e Pedro Tierra, complementada por NOVO AMANHECER, de Manezinho Araújo. Inspirada por idéia de Rolando Boldrin, no disco VIOLEIRO.

Em nome do Pai de todos os povos
Maíra de tudo, excelso Tupã
Em nome do Filho
Que a todos os homens nos faz ser irmãos
No sangue mesclado com todos os sangues
Em nome da aliança da libertação
Em nome da luz de toda cultura
Em nome do amor que está em todo amor
Em nome da terra sem males
Perdida no lucro, ganhada na dor
Em nome da morte vencida
Em nome da vida
Cantamos, Senhor!

Eu jogo estrelas em cada noite escura
E na garganta ponho sempre uma canção
Nas auroras do meu peito há só ternura
A cada arrimo do amigo eu dou a mão

Entre as pedras do caminho eu planto flores
E faço luz se se faz escurecer
Sonho bonança, vivo esperança
O sol se abrindo para um novo amanhecer

O amor há de brotar, há de vingar e florescer
A paz há de reinar, há de espalhar o bem querer
O mundo mudará, nós temos que convir
É só viver o amanhã que há de vir

Amazon.de - Compras virtuais


Final de ano chegando, aparecem algumas promoções imperdíveis nos sites de compras do mundo inteiro. Em função do elevado volume de pedidos, algo pode dar errado.

Foi o que aconteceu comigo. Comprei uma máquina fotográfica no Amazon.de há 20 dias, junto com cartão de memória e capa. Cada item é comprado em separado e enviado pela respectiva empresa. A capa chegou, o cartão de memória voltou para os armazens da ASBERO (empresa) e a máquina foi dada como entregue, sem ter sido.

Quem mora numa residência universitária na Alemanha vai estranhar, mas é comum que os correios entreguem o produto a um vizinho, caso você não seja encontrado em casa. Há uma forte presunção de "familiaridade" entre o comprador e os 140 moradores do alojamento (meu caso).

Há uma semana, já chateado com atraso no recebimento dos produtos, escrevi ao serviço do consumidor da Amazon.de. Me informaram que a câmera foi entregue a uma pessoa cujo nome sequer consta na lista de moradores da residência (tinham inclusive a assinatura do camarada). Alguma coisa não correu como esperado; a máquina foi entregue no endereço errado e alguém a recebeu por mim. Em estando noutro país, com outra língua, fiquei receoso de estar numa situação de prejuízo irreparável.

Um conselho é sempre refletir sobre o que ocorreu e nunca ficar calado. Respondi ao e-mail em inglês, bastante agressivo, criticando esse sistema de entrega aos vizinhos e deixando bem claro que não pretendia ficar passivo. Por fim, perguntei como faria para receber o produto adquirido e já pago.

Não teve outra. No dia seguinte responderam pedindo desculpas e confirmando novo envio da máquina fotográfica. Pediram apenas que, caso receba duas, devolva uma delas. Meu caso foi com uma câmera fotográfica, mas isso pode se passar com qualquer coisa, em qualquer país.

E nesses casos, baixar a cabeça nunca é a melhor solução. Tá dada a dica.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Neuengamme Konzentrationslager (KZ)

Já de volta em Hamburg, sou recebido por um lindo dia de sol, muito embora bastante frio. Reservo a tarde para conhecer o campo de concentração de Neungamme, que fica numa cidade vizinha a Hamburg - Bergedorf. Um passeio impressionante, em função de toda a história que o local carrega consigo. Os filmes de Hollywood ajudam a pintar um quadro do que seriam essas instalações. Porém, não há nada como conhecer uma pessoalmente, e sozinho.



Hamburg não possui muito monumentos sobre a Segunda Grande Guerra. A cidade foi completamente destruída por bombardeios no verão de 1943 pela Royal Air Force britânica, inclusive o KZ Neuengamme. E quando digo completamente, quer dizer literalmente. A cidade era proeminente na economia de guerra (Kriegswitschaft) instaurada pelo Reich alemão e representava uma ameaça aos aliados.

Em 1940 foi construído o KZ em Neuengamme, a bons 20 km de Hamburg, o que garantia sigilo com relação ao que ali se passava e proximidade com ametrópole, para diversos fins. Possui aproximadamente 20 km² de área, que incluía a prisão, enfermarias, duas fábricas de armamento, alojamentos das SS, dois crematórios e um caminho de ferro exclusivo. Durante seu funcionamento, albergou 106 mil prisioneiros, dos quais aproximadamente metade morreram.



O local é hoje pacífico, solene, silencioso (ouvindo-se apenas o barulho de alguns carros distantes). Resta em meio a campos de agricutlura e um complexo de moinhos eólicos. Não possui muros delimitadores, apenas estacas de metal em todo o seu contorno. Das prisões em restaram apenas dois blocos, havendo os outros sido destruídos durante os bombardeios.

No lugar dos crematórios encontram-se monumentos de lembrança aos que faleceram. Já as fábricas estão em perfeito estado, havendo inclusive máquinas usadas à época. Estima-se que 400.000 detentos tenham sido submetidos a trabalhs forçados em Hamburg, inclusive em Neuengamme. Nas suas fábricas eram produzidos rifles e pistolas para as frentes de guerra.

Com o fim do conflito, o campo foi administrado pelo Reino Unido, que mais tarde devolveu ao Estado Alemão. Hoje alberga arquivos de diversos museus da Alemanha e uma fundação que busca manter viva a lembrança do que foi feito durante a guerra.

Um local pouco divulgado e escassamente visitado, mas de visitação imprescindível para todos que habitam em Hamburg e procuram saber mais sobre a história da cidade.

Natal na Suíça

Com o Natal se aproximando, o destino não poderia ter sido diferente: família. O fato de estarem na Suíça apenas tornas as coisas mais interessantes.

Meu voo para Genebra (Genf, em alemão) partiu depois de uma hora de atraso, em função da nevasca que fustigava a cidade. O avião precisou ser descongelado (de-iced), para que pudesse seguir. Já em Genebra, me encontrei com tia Goreti, meu primo Joel e sua namorada Rosanne. Juntos saimos à descoberta dessa cidade maravilhosa, debaixo de agradáveis 14 graus de temperatura.



A mais internacional das vilas suíças, Genf possui pouco mais de 200 mil habitantes (a Suíça inteira tem sete milhões). É a sede de diversos órgãos internacionais, particularmente a Cruz Vermelha Internacional e organizações como a internacional do Trabalho, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, tendo as próprias Nações Unidas aí um palácio.



É cortada pelo rio Rhône e encrustada no lado sul do lago Lemán. O rio é de um verde cristalino e o lago imenso, como um oceano. É também a cidade natal de um ilustre cidadão: Jean-Jacques Rousseau. A arquitetura é marcada por cores claras, bege e branco, ao contrário de Hamburg, o que a torna ainda mais bela. Por todos os lados há joalherias com os famosos relógios e canivetes suíços - um orgulho nacional.

Já em Sierre, cidade de tia Goreti, pude rever Alain e meu outro primo, Pablo. Fomos em busca de uma árvore de Natal e descobrir um pouco mais de Sierre. Fica no interior da Suíça, em meio aos Alpes, na região de Valais. Está a alguns minutos das mais famosas estações de esqui da Suíça e da Europa, como Crans-Montana, onde Roger Moore tem residência fixa.



Foi exatamente aí onde esquiei pela primeira vez. A preparação é complicada: ajustar esqui, vestir todas as roupas a prova de vento, noções básicas etc. Mas uma vez esquiando, a sensação é incrível! Claro que fiquei na pista junto com as crianças de 3 anos, mas e daí? Depois de rápidos avanços, passamos no segundo dia para uma pista profissional, a de Aminonah. Essa me quebrou todo. Demasiado inclinada, exigia movimentos rápidos e um equilíbrio fora do comum. Uma senssibilidade que se adquire com tempo, tempo este que não tive.



A noite de Natal passamos com a família de Alain, num típico casebre das montanhas - aconchegante e belamente decorado, com uma vista incrível para os Alpes. As aldeias ao topo parecem jóias, pequenas gemas. Um momento inesquecível.

E como o tempo não pára, já estou de volta em Hamburg, planejando o Silvester/Reveillon e programando as futuras aventuras em solo europeu.

Novamente, Feliz Natal a todos!

sábado, 19 de dezembro de 2009

Hopenhagen?


É oficial. A cimeira de Copenhagen encontrou seu fim da maneira mais tímida possível. Não seria demais falar em um fracasso retumbante.

Depois de duas semanas de negociações, os represetantes dos 193 países do mundo não conseguiram em momento algum alcançar consenso, especialmente no momento de elaboração do documento final - o "Copenhagen Accord".

O resultado? Uma mera declaração de intenções, sem nenhuma força obrigatòria, sem coercibilidade. Sabemos como é sensível essa questão da obrigatoriedade nos acordos internacionais, mas a falta de responsabilidade quanto à questão ambiental é estarrecedora. Além disso, o principal objetivo da COP 15 era elaborar um acordo politicamente vinculante. Se não conseguiu, falhou.

Chegamos ao "Zwei-Grad-Ziel", ou objetivo dos dois graus, segundo o qual os países se comprometeram a evitar o aquecimento do planeta em dois graus até 2020. Mas dizer que vamos evitar que a Terra aqueça 2 graus, sem especificar os meios pelos quais o faremos é o mesmo que não pretender nada.

Foi isso e o fundo de 100 bilhões de dólares para os países pobres. Fundo este para o qual o Brasil irá contribuir, enquanto quarto maior poluidor do mundo. Essa foi a principal contribuição dos EUA para a cimeira, que na hora de doar é bem mais eficiente que ao assumir responsabilidades. Comprometer-se com a retribuição financeira do prejuízo a posteriori é mais fácil do que assumir responsabilidades a priori. É a inversão daquela velha e conhecida máxima do mais vale prevenir de que remediar. Claro que a proposta foi acatada imediatamente pela UE e pelo Japão.

O que ficou bem claro é que os interesses privados nacionais prevaleceram novamente diante do interesse coletivo. A questão é: até quando? Enquanto isso, vamos preparando essa nova geração, que a batalha vai ser grande.

É... parece que "Hopenhagen" não vingou.

Nathan, der Weise


Quinta-feira, dia 17, assisti a uma peça de teatro no tradicionalíssimo Thalia Theater, centro agitado de Hamburg (entre a Rathaus e a Hauptbahnhof - Estação de Trens). O teatro é magnífico, com três lances de galerias, lembrando ao longe o Santa Rosa, em João Pessoa. A acústica é perfeita e o palco não deixa nada a desejar.

O valor da entrada varia conforme a peça. Para estudantes, geralmente custa 5,50 euros, valor extremamente em conta, haja vista os preços de outras atividades culturais em Hamburg (uma entrada pra cinema custa 7 euros e 50). E depois, só em apreciar a arquitetura do teatro, já veleu a pena.

A peça era "Nathan, o Sábio", escrita em 1779 pelo renomado autor alemão Gottholf Ephraim von Lessing. Antes de ir, procurei saber um pouco sobre a mesma, já que o alemão antigo (Altdeutsch) revela-se difícil até mesmo para os prórpios tedescos. Mas não adiantou muito. Conseguia pegar palavras soltas, mas concatená-las e dar-lhes sentido, isso me pareceu impossível para quem está aprendendo alemão. Essa foi a impressão geral de todos que foram comigo.

Uma obra crítica, escrita nos últimos anos de vida de Lessing. Marcada pelo discurso da tolerância religiosa em tempos de amplas restrições por parte da igreja católica, a peça colocou Lessing contra a mesma. Tem lugar em Jerusalém, no ano de 1192, com três personagens principais: um judeu, um cristão e um mulçumano, na tentativa de questionar a intolerância.

O modo como foi adaptada nesta apresentação é que surpreendeu. Havia duas dimensões, sendo uma para os três personagens acima e outra para personagens atuais (que vestiam roupas atuais). O palco mudava a cada ato, com uma dinâmica riquíssima. A estética teatral e a performance dos atores me impressionaram bastante. A duração foi de duas horas e meia. Outra experiência única em Hamburg!

Depois, sob neve forte, fomos a mais um mercado de Natal, refletir um pouco sobre a mensagem da noite e tomar uma sopa picante de feijão (que fazia tempo que eu não comia por aqui).

Um forte abraço!