A queda do muro de Berlim foi um dos eventos políticos mais importantes da história mundial recente. Não só dividiu a cidade em duas, como também o mundo, durante mais de 25 anos. A história de sua construção é conhecida, assim como sua queda. A oportunidade que tive aqui foi de conhecer mais aproundadamente os acontecimentos que antecederam a simbólica "queda" - ou abertura das fronteiras, no dia 09 de novembro de 1989. No final de semana passado comemoraram-se os 20 anos da queda do muro.
De início, estava certo que não estaria presente nesse momento tão único, já que a excursão com a universidade apenas duraria um dia - o sábado todo. Mas o incrível, inimaginável aconteceu! Na noite do sábado, uma hora antes de voltar a Hamburgo, me encontrei com Andrea num café em Berlim. Ele me fez, então, a irrecusável proposta de ficar em Berlim para cerimônia da queda do muro, hospedado na casa de sua tia. Voltaríamos na terça, dia 10. Eu tinha menos de trinta minutos para pensar.
Só estava com a roupa do corpo, mas e daí? Quem recusa uma proposta dessa? Aceitei!
A cidade estava em frenesi. Gente de todas as partes do mundo afluíam a Berlim para presenciar os 20 anos da queda do muro. TV's de toda a europa e do mundo cobriam cada segundo do evento. Visitamos a cidade inteira até o momento mais esperado. Chuvia muito e o frio era implacável! Mas como dizia o poeta, "tudo vale a pena, se a alma não é pequena".
Primeiro, a Filarmônica de Berlim brindou a multidão com um concerto gratuito em plena Brandenbrug Tor. Depois, os líderes políticos de cada um dos Estados envolvidos diretamente na tensão provocada pelo muro discursaram. Pela ordem: Sarkozy (vaia), Medvedev (vaia), Gordon Brown (nada), Hillary Clinton (e um curto vídeo de Obama - aplausos) e, por fim, Merkel (misto). Na bancada de honra, Durão Barroso (presidente da UE), Gorbachew, José Sócrates (primeiro ministro de Portugal), Berlusconi (haja vaia) e outros.
Bon Jovi cantou uma música escrita especialmente para esse momento: "We weren't born to bow" e um coral classico veio a seguir. Sem sombra de dúvidas, o momento mais impressionante da noite foi a queda das 1000 pedras de dominó, posicionadas ao longo do mesmo percurso seguido pelo muro. Essa pedras gigantes foram pintadas por estudantes e artistas de todo o mundo com mensagens de liberdade e solidariedade. A queda durou cerca de 15 minutos, ao final dos quais seguiram-se diversas queimas de fogos de artifício.
Fica, após toda a celebração, a refelxão acerca dos outros muros que temos pelo mundo. Muros não apenas físicos, mas mentais. O problema das fronteiras entre o hemisfério norte e sul do planeta é real e expõe a existência de outros muros, mas que poucos querem ver. Não vou negar que foi interessante ouvir e ver Hillary Clinton clamar pela queda "dos muros" por todo o planeta e pela liberdade dos povos, quando os EUA têm um belo exemplar na fronteira com o México. Ver: http://pangeaday.org/filmDetail.php?id=14
Com isso me despeço. Grande abraço a todos! E muita Freiheit também!
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Berlin - Mauerfall
Na segunda-feira que vem, dia 09 de novembro, comemoram-se em Berlin os 20 anos da queda do Muro que dividiu a cidade durante décadas.
Já estive em Berlim antes e posso garantir que é uma sensação única estar onde exisitiu anos atrás um muro que dividiu e, se brincar, ainda divide a Alemanha. Até hoje os alemães do oeste reclamam que pagam impostos para sustentar os alemães orientais, dada a discrepância econômica entre ambas as regiões.
Agora sensação única mesmo deve ter sido ir ao show de 20 minutos que U2 presenteou à cidade. Isso mesmo, de graça. Mas com entradas limitadas, que se esgotaram em menos de uma hora, na internet. Assim não vale...
Amanhã estou indo novamente para Berlim, dessa vez para passar apenas o sábado. Trata-se de uma excursão organizada pela Universidade, na qual tivemos que pagar apenas 10 euros, para ir e voltar de ônibus, no mesmo dia. Só a pasasgem de trem custa 40. Faremos um pequeno tour pelos pontos mais importantes e tenho pra mim que será divertido revisitar à cidade, dessa vez com outra perspectiva - e sem estresse. Além disso a turma que vai é a melhor, o que garante a qualidade da viagem. Por fim, 10 euros gasta-se aqui em qualquer final de semana...
Esquema mesmo, tem Andrea, o palermitano. Conseguiu a casa de um amigo em Berlin e deverá ficar lá até a terça-feira. Estará na festa de celebração, na segunda! Sortudo...
Agora vou indo lá, pois comprei alguns matimentos e vou preparar saduíches, para comer por lá - durante a viagem, que dura 4 horas, e depois. E ainda tenho que passar algumas roupas. O ônibus sai amanhã às 7, por isso, tenho que me levantar às 5 e meia. No rest!
Abraço enorme a todos! E até a próxima, com algumas notícias de Berlim.
Já estive em Berlim antes e posso garantir que é uma sensação única estar onde exisitiu anos atrás um muro que dividiu e, se brincar, ainda divide a Alemanha. Até hoje os alemães do oeste reclamam que pagam impostos para sustentar os alemães orientais, dada a discrepância econômica entre ambas as regiões.Agora sensação única mesmo deve ter sido ir ao show de 20 minutos que U2 presenteou à cidade. Isso mesmo, de graça. Mas com entradas limitadas, que se esgotaram em menos de uma hora, na internet. Assim não vale...
Amanhã estou indo novamente para Berlim, dessa vez para passar apenas o sábado. Trata-se de uma excursão organizada pela Universidade, na qual tivemos que pagar apenas 10 euros, para ir e voltar de ônibus, no mesmo dia. Só a pasasgem de trem custa 40. Faremos um pequeno tour pelos pontos mais importantes e tenho pra mim que será divertido revisitar à cidade, dessa vez com outra perspectiva - e sem estresse. Além disso a turma que vai é a melhor, o que garante a qualidade da viagem. Por fim, 10 euros gasta-se aqui em qualquer final de semana...
Esquema mesmo, tem Andrea, o palermitano. Conseguiu a casa de um amigo em Berlin e deverá ficar lá até a terça-feira. Estará na festa de celebração, na segunda! Sortudo...
Agora vou indo lá, pois comprei alguns matimentos e vou preparar saduíches, para comer por lá - durante a viagem, que dura 4 horas, e depois. E ainda tenho que passar algumas roupas. O ônibus sai amanhã às 7, por isso, tenho que me levantar às 5 e meia. No rest!
Abraço enorme a todos! E até a próxima, com algumas notícias de Berlim.
Sistema Legal Alemão - II - Noções gerais

Na quarta-feira assistimos a um julgamento no Tribunal Criminal de Hamburg. A iniciativa é da Universidade, que abriu uma turma de alemão só para os alunos de Direito. No calendário estão algumas visitas interessantes a alguns tribunais, grandes escritórios de advocacia e prisões. Éramos brasileiros, chineses, japoneses, checos e russos.
O Tribunal fica ao lado de uma enorme casa de detenção (Untersuchungsgefängnis), ou o contrário, no centro da cidade. Nessa prisão ficam os presos que aguardam julgamento. Foi construída de modo a que tenha conexões diretas com todas as salas de audiência. O acusado é conduzido à sala por meio de corredores subterrâneos e elevadores entre as paredes do tribunal. Ele já chega diretamente na sala, através de uma porta que só abre por fora. Negócio que nem em filme não se vê.
Logo na entrada no Tribunal nota-se a segurança reforçada. Não se pode entrar com celular nem com notebook. Diria que o procedimento é tão minucioso quanto o de qualquer aeroporto. Passando pela triagem, fomos direto a uma audiência. O caso era simples: um rapaz turco, de 25 anos, bebeu demais e bateu na namorada, numa boate. Estava sendo, então, processado por lesão corporal leve (Körperverletzung).
O contexto da audiência foi fácil de entender, pois o caso não era complexo. Apenas foi preciso convocar a namorada. Mas entender tudo o que foi dito é um objetivo que pretendo alcançar brevemente.
Em linhas gerais, o sistema alemão é bem semelhante ao brasileiro. Na sala estavam a Juíza (Richterin), o Promotor de Justiça (Staatsanwalt), o advogado de defesa (Rechtsanwalt), a assistente, elaborando o protocolo da audiência, o réu (Angeklagte), a vítima/testemunha (Opfer) e dois aspirantes a Juiz. Nesse caso específico, o rapaz era empregado e estava noivo dessa moça. A noiva pediu que ele não fosse punido, pois era a primeira vez que acontecia isso entre eles. Apesar de ter um histórico de algumas brigas e lesões corporais, o rapaz não foi punido com pena privativa de liberdade. Apenas uma pena pecuniária. Mas foi advertido que se voltasse a se agredir quem quer que seja poderia se dar mal.
Um aspecto interessante, que chamou minha atenção logo ao entrar na sala, é que não há crucifixos, nem qualquer outro símbolo religioso. Os alemães travaram uma discussão sobre a possibilidade de expressão unilateral de religiosidade em órgãos estatais e chegaram a conclusão que são um Estado laico, secular, e que não é admissível que se pendurem símbolos religiosos nos órgãos estatais. Sequer no Preâmbulo da Constituição é mencionada a palavra "Deus". O que é exercido pelo Estado é em nome da Sociedade e pela Sociedade, sob a proteção e fiscalização da Sociedade.
Ao final da audiência, conversamos com a Juíza e pudemos perguntar um pouco sobre o caso e as razões da decisão. Depois, fomos ao Bistrô que há no interior do tribunal (ao lado de uma grande cantina) e pudemos conversar com a professora que nos acompanhava sobre o sistema legal alemão. Falamos acerca da formação dos juristas, do sistema de penas, das prisões etc. Porém, serão precisos outros tópicos para tratar de tudo isso.
No momento, fico por aqui. Até a próxima.
domingo, 1 de novembro de 2009
Fotos Retroativas
Como sei que faltam algumas fotos minhas no blog, seguem algumas que consegui através de outras câmeras. Mas não se preocupem, pois ainda esta semana comprarei uma, sem falta!
Essa foi logo na primeira semana em Hamburg, na festa de recepção dos Erasmus e demais estudantes estrangeiros. Na foto, Diogo, Ana (PT), Petre (RO), eu, Olivia (FR), Georgia (GR), Thomas (FR) e Catarina (PT). A cerveja é Astra, produzida em Hamburg, bebida oficial dos fãns do St. Pauli Football Club. Os fãns do HSV só bebem Beck's, mas Astra é bem melhor!
Essa aqui foi na casa de Albana e Andrea, na ocasião da macarronada que Andrea preparou para um exército. Uma delícia! Na foto, Egor (RU) e Katherine (D).

Essa última foi no Fischmarkt, ou Mercado do Peixe, de Hamburg. Era o aniversário de Olívia e decidimos fazer uma hora por lá e aproveitar para comer uma baguete de salmão defumado, fresquinho! Na foto, Matthias (Suíça), Olivia, Mike (EN) e Catarina. Ao fundo, o porto adormecido de Hamburg. Vejam como está quente por aqui...
Até a próxima! Com mais fotos, dessa vez, autorais!
Essa foi logo na primeira semana em Hamburg, na festa de recepção dos Erasmus e demais estudantes estrangeiros. Na foto, Diogo, Ana (PT), Petre (RO), eu, Olivia (FR), Georgia (GR), Thomas (FR) e Catarina (PT). A cerveja é Astra, produzida em Hamburg, bebida oficial dos fãns do St. Pauli Football Club. Os fãns do HSV só bebem Beck's, mas Astra é bem melhor!
Essa aqui foi na casa de Albana e Andrea, na ocasião da macarronada que Andrea preparou para um exército. Uma delícia! Na foto, Egor (RU) e Katherine (D).
Essa última foi no Fischmarkt, ou Mercado do Peixe, de Hamburg. Era o aniversário de Olívia e decidimos fazer uma hora por lá e aproveitar para comer uma baguete de salmão defumado, fresquinho! Na foto, Matthias (Suíça), Olivia, Mike (EN) e Catarina. Ao fundo, o porto adormecido de Hamburg. Vejam como está quente por aqui...
Até a próxima! Com mais fotos, dessa vez, autorais!
sábado, 31 de outubro de 2009
O cara da estética do fracasso - Bernardo Carvalho
Hafencity - O futuro está aqui

Na sexta-feira, pela manhã, dei uma volta na parte do porto de Hamburg que esté sendo reconstruída. Já no consulado alemão eu tinha visto algumas imagens dos projetos para valorização da área do porto, mas não acreditava que fosse tão real. Há mais de um século, os produtos trazidos pelos navios à cidade eram armazaenados na Speicherncity, ou "cidade dos armazéns" . Com o crescimento do porto, esses armazén tornaram-se cada vez mais obsoletos.
Com a segunda guerra mundial, a cidade inteira foi destruída. Então entra em cena uma série de projeto ousados para reconstrução dessa área, substituindo os antigos armazens por edifícios modernos, tanto residenciais, quanto comerciais. Resultado: um espaço extremamente valorizado numa região geralmente problemática. Pode-se comparar com o que foi feito em Belém do Pará.
Mas ainda há muito o que ser feito. Num golpe de visão, pude contar 13 gruas em atividade. Trata-se de uma "cidade" em construção, um microcosmo independente de Hamburg. Toda projetada, centrímetro por centrímetro. Não há uma previsão certa para a conclusão de todas as obras, mas acredito que até 2015 estará tudo pronto.
Um detalhe apenas sobre Hamburg: tem 1,8 milhão de hambitantes, mas possui um PIB igual ao de Berlim, que alberga 3,4 milhões, o dobro! A cidade é rica, as pessoas são ricas e há pouco desemprego comparado com Berlim. O que o segundo maior porto da Europa não faz com uma cidade?
Para os que se interessam em arquitetura moderna, os projetos estão todos nesse endereço aqui: http://www.hafencity.com/index.php?set_language=en&cccpage=projekte
Para os mais preguiçosos, seguem algumas imagens, ao menos, da Filarmônica do Elba, antigo armazém de Chá e Café (provavelmente vindo do Brasil e Comlômbia).

Elbphilharmonie em 2005, antes do início das obras.
Área do antigo porto que está em obras. Pode-se perceber claramente o modelo portuário, com os cais para cada navio:

Elbphilharmonie em maio de 2012, ao final das obras:

E pensar que em João Pessoa nós não conseguimos nem dar início às obras no Porto do Capim/Varadouro...
A vontade mesmo é voltar aqui quando estiver tudo pronto! Como Danilo disse, temos esse característica de estar numa cidade quando ela está em construção. Em Coimbra foi a mesma coisa - chegamos numa cidade, partimos de outra. Não fosse a estreiteza de minha estada aqui, tenho certeza que o mesmo se repetiria!
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
A viagem é uma peregrinação de identidades

Sabem aquele dia no qual aconteceram tantas coisas, que ao final do mesmo você acha que já passou uma semana, mas você não queria que acabasse?
Pois é, ontem (29.10) meu dia foi assim. Começou mal quando recebi a notícia, por meio de minha professora, de que não poderia cursar alemão aqui porque não sou Erasmus. Mas conversei com a coordenadora do curso e ela permitiu que eu fizesse um curso especial de alemão, não tão aprimorado, mas simultâneo com um curso de alemão jurídico.
Depois disso, foi o dia em que mais falei portguês desde que cheguei em Hamburg. Alemocei na cantina da Uni-Hmbg com uma amiga brasileira, Elisa, de Belo Horizonte. Elisa é casada com um alemão e veio para Hamburgo fazer um master em Arquitetura. Durante o almoço, conhecemos uma outra brasileira, de Fortaleza, a Paola. Ela estuda Etnologia e Psicologia na Universidade e mora em Hamburgo há 2 anos, com a mãe. Antes disso morou 3 anos em Londres, pois a mãe estava no doutorado.
Depois do almoço bebemos um café juntos e fomos em busca de uma professora paraibana que mora em Hamburg e dá aulas na universidade há bastante tempo - a professora Vânia Karsch. Queria pessoalmente agradecê-la por ter auxiliado no meu processo de intercâmbio para a universidade de Hamburg. Essa senhora, simpatissímia, é hoje a grande ponte entre a UFPE, UFPB e a Uni-Hamburg! Ao falar com ela, avisou-me que a noite haveria uma noite literária no prédio de filosofia, com a apresentação da tradução em alemão de dois livros de Bernardo Carvalho. Assisti a uma aula cansativa e fui à palestra.
Carvalho é jornalista pela Folha e escritor (foto acima). Tem seus livros traduzidos em diversas línguas e ganha cada vez mais projeção fora do Brasil. Nenhum dos três fazíamos idéia de quem ele era e resolvemos arriscar. No mínimo, iríamos ouvir um pouquinho de português e depois sair para jantar juntos de todo modo. Mas a surpresa foi deveras agradável! Dos trechos que foram lidos e do debate que se seguiu, gostei bastante do que ouvi. Bernardo investe numa literatura do vulnerável, do perdedor. Aposta em histórias de fracasso e usa constantemente termos negativos nas obras. Só não foi melhor, porque a tradução era simultânea, com aquela interrupção na fala do palestrante. O que também não prejudicou a integridade do evento.
Ao final da apresentação, fomos falar com o escritor, parabenizá-lo e trocar algumas idéias mais. Eis que surge a velha proposta de jantarem os organizadores e o palestrante, e nós fomos expressamente convidados! Fomos a um restaurante turco muito bom (Arkadesh), conversamos muito português e demos muitas gargalhadas, tudo isso acompanhado de boa comida turca e cerveja alemã. Entre "causos" vividos na Alemanha e algumas brincadeiras, normalmente surgia um tema literário: um livro recém-publicado, uma tradução mal feita, um autor preferido... e umas frases interessantes. Lá pras tantas, um professor gaúcho, falando sobre um livro que tinha lido, relembra uma passagem que marcou a noite: "A viagem é uma peregrinação de indentidades". Poucas vezes vi tantas palavras, teses, pensamentos condensados numa só frase. Infelizmente, não lembro o nome do livro, nem do autor.
Com essa frase me despeço, comprovando que uma viagem é, realmente, uma peregrinação de identidades!

